DISBIOSE: a raiz secreta dos seus problemas de saúde.


Publicado em: 21 de fevereiro de 2018

O que sentimos (bem estar, incômodos, irritabilidade, preguiça) pode ser muito influenciado por micro seres que vivem no nosso intestino. Esses seres são as bactérias e fungos intestinais, conhecidos antigamente como flora intestinal e atualmente como microbiota intestinal.

O conhecimento sobre a relação desses organismos com nossa saúde é relativamente recente. Foi em 1908 que um cientista russo, Elie Metchnikof, observou que o diferencial de algumas populações bulgáricas que tinham maior longevidade com baixo índice de doenças era o consumo de alimentos fermentados. E foi assim, que ele isolou o primeiro lactobacillus, chamado de Lactobacillos bulgaricus.

Acontece que essa tal de microbiota sempre será povoada por microorganismos benéficos e aqueles com potencial de causar doenças, mas o que determina nosso estado de saúde é este equilíbrio entre eles. Quando ocorre um desequilíbrio onde a quantidade de bactérias com potencial patogênico é predominante, ou quando as bactérias saem do seu habitat natural no sistema digestivo e vão para outro sítio dizemos que há uma disbiose.

Podemos desequilibrar a microbiota normal e promover disbiose intestinal com:

  • Baixa ingestão de legumes, verduras e frutas, assim como de cereais integrais e leguminosas, fundamentais, entre inúmeros fatores, para disponibilizar as fibras necessárias para a fermentação e desenvolvimento das bactérias probióticas;
  • Carência de vitaminas e minerais necessários à formação, renovação e manutenção de todas as nossas células de defesa, hormônios reguladores, enzimas antioxidantes, enzimas e sucos digestivos, neurotransmissores, mucosas entre outros, além de executarem naturalmente as ações anti-inflamatórias, antioxidantes, antialérgicas, detoxificantes e anticancerígenas;
  • Desequilíbrio entre os macro e micro nutrientes, causando má utilização dos mesmos;
  • Consumo exacerbado de carnes, gorduras, carboidratos simples, alimentos refinados, alimentos muito processados, aditivados alimentares químicos e o consumo regular de fatores antinutricionais (por ex.: cafeína, álcool);
  • Ambientes muito poluídos e sobrecarga hepática, dificultando a detoxificação;
  • Atividades diárias com demasiado estresse físico ou emocional,
  • Uso abusivo de medicamentos como antibióticos, corticosteroides, anti-inflamatórios não esteroidais, pílulas anticoncepcionais, laxantes, antiácidos, inibidores da bomba de prótons e quimioterápicos;
  • Deficiência de enzimas digestivas (por exemplo, lactase);
  • Alergênicos alimentares (individualidade bioquímica);
  • Sensibilidade ao glúten (aumento da expressão da zonulina);
  • Infestações e Infecções (por parasitas, bactérias, vírus e fungos);
  • Jejum prolongado
  • Outros fatores como idade, estado imunológico do hospedeiro, pH estomacal, tempo de trânsito intestinal, interações entre os componentes da flora e presença e disponibilidade de material fermentável no intestino.

O acúmulo de maus-tratos com a função intestinal afeta o equilíbrio da microbiota, fazendo com que as bactérias nocivas ganhem terreno. Algumas dessas bactérias podem colonizar o intestino delgado, causando efeitos danosos como:

1) Destruição de vitaminas, inativação enzimática, e digestão deficiente das moléculas dos alimentos prejudicando a absorção dos nutrientes.

2) Constipações, cólicas, gases e distensão abdominal.

3) Destruição das ligações tight junctions (que mantem as células intestinais juntas) e da mucosa intestinal , gerando um quadro de hiperpermeabilidade – abertura de ‘vãos’ entre as células intestinais permitindo a passagem de partículas de alimentos mal digeridos, fragmentos bacterianos (LPS), toxinas, fungos e parasitas para o sangue. Ocorre uma hiperestimulação do sistema imune oque predispõe ao desenvolvimento de alergias e hipersensibilidades alimentares.

As alterações na integridade do trato gastrointestinal podem ser causa e também consequência de alergias alimentares e/ou químicas, entrando num círculo vicioso.

A super ativação do sistema imune também gera fadiga imunológica, ou seja, prejudica a ação eficaz dele no combate a agressores externos possibilitando a instalação de outros organismos patogênicos.
Como todas as toxinas (ingeridas ou produzidas pelo organismo) são metabolizados no fígado no processo de detoxificação, a alta translocação destas substâncias gera uma alta produção de radicais livres pelo fígado resultando em um estresse oxidativo hepático e possível lesão a longo prazo.

A translocação e elevação sanguínea dos níveis de fragmentos bacterianos (LPS) gera uma inflamação sistêmica crônica de baixo grau. Este tipo de inflamação predispõe a resistência a Leptina (hormônio regulador do apetite) levando a um aumento do apetite. A procura por alimentos altamente palatáveis e calóricos pode favorecer o aumento da proliferação de bactérias patogênicas reforçando um ciclo.

O mesmo quadro de inflamação sistêmica crônica de baixo grau pode gerar uma resistência à insulina, fator de risco para o desenvolvimento da síndrome do ovário policístico, diabetes e síndrome metabólica.

4) Estimulo da maturação de células imunes com perfil inflamatório e instável, promovendo inflamação crônica e possibilitando o desenvolvimento de doenças auto imunes.

5) Produção de toxinas, promotores tumorais e enzimas (nitrosaminas, beta-glicuronidase, etc), e produção de metabólitos que atingem a circulação sistêmica (amônia e aminas bioativas).

É importante destacar que a disbiose intestinal tem sido associada com diversas patologias, sendo o câncer uma das mais estudadas atualmente. Diversos autores afirmam que as bactérias intestinais patogênicas produzem carcionógenos poderosos. Além disso, metabólitos bacterianos podem possuir atividade genotóxica, mutagênica ou carcinogênica e contribuir ao desenvolvimento de câncer, em um longo período de exposição. É interessante destacar que este longo período de exposição é justamente o que ocorre na disbiose intestinal, uma vez que, na maioria dos casos, esse processo se inicia nos primeiros meses ou anos de vida, surgindo o câncer 30 ou 60 anos depois (DAVIDISON; CARVALHO, 2008).

6) O desequilíbrio da microbiota intestinal pode contribuir também para um ganho extra de energia e resistência à insulina contribuindo dessa forma para o ganho de peso.

A grande maioria da espécie bacteriana da microbiota intestinal é dominada por duas divisões: os firmicutes (64%) e os bacteroidetes (23%). Firmicutes tem a capacidade de extrair mais energia a partir do consumo alimentar = mecanismo de extração de energia mais eficiente e essa energia extra é armazenada na forma de gordura no tecido adiposo.

7) Ligações também foram feitas com a disbiose e quadros de compulsão alimentar, pois a diminuição da quantidade ou ação das bactérias probióticas leva a diminuição da quantidade de ácido graxos de cadeia curta no intestino, isto leva ao aumento de um

Quando sintomas como diarreia e cólicas intestinais aparecem e é detectado uma proliferação de bactérias patogênicas oque a medicina convencional faz? Prescreve-se o uso de antibióticos, que só pioram a situação, encorajando o crescimento de mais bactérias nocivas, deprimindo o sistema imunológico desestabilizando a presença das saudáveis lactobactérias. Pronto: o Cólon passa a ser um perfeito campo de reprodução de parasitas e doenças.

Caramba, E AGORA?

Calma que esse quadro é reversível sim! Porém requer a vontade de querer mudar, dedicação e paciência com o tempo. Porque com certeza você não chegou no seu estado atual em um mês, foram anos de hábitos prejudiciais somados que criaram seu estado atual, então como você pretende se curar de um estado tão complexo com só uma pílula ou mágica?

O reestabelecimento deste equilíbrio é feito por um processo na nutrição funcional chamado de 6 Rs, ou seja – Remover, Recolocar, Reparar, Reinocular, Reequilibrar e Reavaliar.

Remover – alimentos alergêncos, agrótóxicos e aditivos alimentares, microorganismos patogênicos

Recolocar – o adequado funcionamento de enzimas digestivas para melhorar a digestibilidade dos alimentos

Reparar – Reparar a mucosa do estômago e intestino, que muitas vezes estão danificadas e danificadas, para garantir adequada proteção ao corpo e absorção de nutrientes

Reinocular – probióticos e mantê-los vivos com a presença de prébióticos na alimentação

Reequilibrar – os hábitos de vida, afinal nenhum tratamento se mantêm sem a mudança efetiva dos hábitos

Reavaliar – os objetivos e a conduta, adequando a alimentação à cada pessoa e situação

Uma vez feito esse processo, que acontece em médio à longo prazo, é possível se restabelecer o equilíbrio da microbiota intestinal, dar fim à disbiose e suas consequências e viver uma vida com muita mais energia, disposição e felicidade!

O conteúdo deste artigo é informativo mas não substitui uma consulta ou tratamento nutricional. Procure uma nutricionista funcional mais perto de você.