O Poder Metabólico de uma Alimentação Consciente e Prazerosa


Publicado em: 15 de fevereiro de 2018

Há algo que os cientistas chamam de Resposta Digestiva de Fase Cefálica – RDFC.

Cefálico significa “da cabeça”. A  RDFC é simplesmente um termo extravagante para nomear a forma como o prazer, o gosto, o aroma, a satisfação e a estimulação visual de uma refeição tem impacto sobre a digestão, assimilação, queima de calorias e apetite. Em outras palavras, é a “fase mental” da digestão.

O que é surpreendente é que os pesquisadores estimaram que de 30 a 40% da resposta digestiva total a qualquer refeição é devido ao RDFC – nossa plena consciência e experiência do que estamos comendo.

Você consegue lembrar um momento em que viu sua comida favorita e sua boca começou a salivar ou seu estômago começou a roncar?

Essa é a resposta digestiva da fase cefálica.

A digestão, literalmente, começa na cabeça quando receptores químicos e mecânicos na língua e nas cavidades bucais e nasais são estimulados pelo cheiro, sabor, mastigação e simplesmente entrando em contato com o alimento.

Uma consciência saudável da nossa refeição inicia a secreção de saliva, ácido gástrico, enzimas, e neuropeptídeos associados ao intestino e a produção de toda a gama de enzimas pancreáticas, incluindo tripsina, quimotripsina, amilase pancreática e lipase.

Além disso, nossa consciência faz com que o sangue se direcione rapidamente aos órgãos digestivos, sinaliza para que o estômago e os intestinos se contraiam ritmicamente e estimulem as secreções eletrolíticas em todo o trato digestivo para se prepararem para receber alimentos.

Simplificando: Consciência é Metabolismo

Então vamos fazer a matemática. Se os cientistas dizem que 30 a 40% da nossa resposta digestiva total a qualquer refeição é devido à RDFC, e ao optarmos por não estarmos cientes da nossa refeição – ou seja, se “adormecemos no prato” e não conseguimos registrar qualquer sensação de gosto, cheiro, satisfação ou interesse visual – então estamos metabolizando nossa refeição com apenas 60 a 70% de eficiência.

A falta de atenção se traduz em diminuição do fluxo sanguíneo para os órgãos digestivos, o que significa menos oxigenação e, portanto, uma força metabólica enfraquecida. Com menos produção enzimática no intestino, nos tornamos suscetíveis a distúrbios digestivos, distúrbios intestinais, imunidade reduzida, fadiga e muito mais.

Em seguida, a regulação do apetite diminui drasticamente quando sentimos falta da resposta digestiva da fase cefálica.

Isso ocorre porque o cérebro da cabeça e o cérebro do intestino estão constantemente examinando o corpo durante uma refeição para determinar o estado de nutrientes, se o corpo ainda precisa de mais ou não , o que está faltando e quando é hora de assinalar respostas de saciedade.

Muitas dessas informações provêm de saborear nossos alimentos e de dar ao corpo tempo suficiente para os registrar quimicamente.

A pesquisa indica que leva o corpo aproximadamente 20 minutos para perceber que está satisfeito. É necessário tempo para uma experiência de alimentação saudável e completa.

Trabalhar rotineiramente no almoço ou comer com pressa não dá tempo para o sistema nervoso parassimpático (a resposta de relaxamento) se tornar ativado!

Sem tempo e, portanto, sem uma resposta digestiva de Fase Cefálica completa, o cérebro não consegue avaliar o perfil nutritivo de uma refeição, então, mesmo que nos empanturremos de alimentos e realmente comemos mais do que o suficiente, o cérebro não tem ideia de que ingerimos todo o alimento que precisamos.

Para ilustrar isso, você já teve a experiência de comer uma grande refeição um pouco rápido demais e percebeu que, embora sua barriga estivesse cheia, sua mente ainda sentia fome, e você foi levado a comer mais?

Bem, isso é porque seu cérebro intestinal estava dizendo que você estava cheio, mas seu cérebro da cabeça nunca experimentou a refeição, então lhe disse para continuar comendo.

Então, algumas excelentes dicas são:

  • Desacelere ao comer
  • Aumente a quantidade de tempo que você dedica às suas refeições
  • Aprecie a experiência de comer e deixe-se sentir presente e nutrido

Estas são estratégias simples que você pode fazer agora que podem fazer uma enorme diferença quando se trata de regulação do apetite fácil e natural, eficiência digestiva e potêncial metabólico geral.

Há ainda mais na fase mental da digestão. A maioria das pessoas não conhece esse fator chave, mas é um potenciador metabólico extremamente importante que pode ter um grande impacto: Prazer.

Simplificando, a química do prazer ajuda a digestão, regulação do apetite e a capacidade de queima de calorias no dia-a-dia.

Aqui está o porquê e como:

Como todos os organismos do planeta, nós, seres humanos, estamos genéticamente programados para buscar prazer e evitar a dor. Quando comemos, buscamos o prazer da comida e evitamos a dor da fome. Na verdade, qualquer comportamento que possamos imaginar pode ser visto nesta luz.

A classe de produtos químicos que a maioria das pessoas associa com prazer são as endorfinas. Estes são produzidos naturalmente em todo o corpo – principalmente no cérebro e no sistema digestivo – e eles, em parte, nos fazem felizes.

O simples ato de comer aumenta o nível de endorfinas.

Isso nos diz que comer é uma experiência inerentemente prazerosa porque a bioquímica faz isso.

O que é mais incomum sobre as endorfinas é que elas não são só moléculas de prazer, mas também estimulam a mobilização de gordura, em outras palavras, o mesmo produto químico que faz você se sentir bem também queima a gordura corporal.

Além disso, quanto maior a liberação de endorfina em seu trato digestivo, mais sangue e oxigênio serão levados até lá. Isso significa maior digestão e assimilação e, finalmente, maior eficiência na queima de calorias.

Claro, não estou dizendo que você pode comer uma tonelada de sobremesas ou junk food e que você vai queimar tudo  se você sentir prazer. O ponto é que a química do prazer é intrinsecamente concebida para alimentar o metabolismo. Quando fazemos um uso inteligente deste fato biológico, nossa saúde pode prosperar.

Aqui está um fato científico simples mas poderoso que ressalta o poder do prazer: a chave do efeito do prazer na regulação do seu apetite e estimulação do metabolismo da queima de calorias e digestão é que promove um resposta fisiológica de relaxamento.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16678262

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20961295

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10744909

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23886382