Oque os bichinhos que habitam seu intestino fazem por você?


Publicado em: 21 de fevereiro de 2018

 

Você aí está achando que é meramente um ser humano? Tenho notícia para te dar, você é muito mais uma colônia de bichinhos minúsculos do que humano.

Temos 10x mais bactérias intestinais do que células humanas habitando nossos corpinhos. 400M² habitados por 2000 espécies de bactérias diferentes, fungos, protozoários e vírus que vivem harmonicamente dentro de um organismo saudável. Entre 1,5 a 2kg de nosso peso provem das bactérias intestinais.

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Hipócrates afirmava em 400 a.C. que somos aquilo que comemos. Verdade absoluta, mas hoje a ciência da probiótica deixa claro que: Somos o que temos de bactérias em nosso intestino.

Você é o que esta flora come: a quantidade de energia, nutrientes e nutracêuticos  que podemos extrair da alimentação determina toda a nossa biologia: física, mental e até espiritual.

Temos três tipos de bactérias habitando nosso intestino: as colônicas (convivem conosco sem nos trazer benefícios ou danos), potencialmente patogênicas (podem gerar danos a nossa saúde) e probióticas.

Oque as bactérias probióticas fazem por nós:

 

  • Síntese de enzimas digestivas, degradação e digestão dos alimentos, regulação de peristalse e absorção de nutrientes;
  • Síntese de vitaminas (B1, B2, B3, B5, B6, ácido fólico, B12, biotina, vitamina k);
  • Síntese de interferon, o mais potente agente contra os vírus;
  • Normalizam os níveis do colesterol e triglicerídeos plasmáticos;
  • Estimulam o processo de Detoxificação (produzem enzimas de enzimas P-450);
  • Degradam e evitam a ressíntese de hormônios;
  • Convertem flavonoides a forma ativa para exercerem sua função antioxidante;
  • Inibem o crescimento de bactérias patogênicas (inclusive H. pylori), fungos, leveduras e vírus por competição de substrato e do sítio de adesão, alteração de pH intestinal e produção de antibióticos naturais e substâncias que inibem o crescimento de patógenos (peróxido de hidrogênio);
  • Produzem ácidos graxos de cadeia curta (combustível para as células intetinais), aumentam a produção de muco no epitélio intestinal e a força de adesão entre as células intestinais garantindo uma parede celular integra e a não translocação de bactérias, vírus, toxinas e moléculas alimentares grandes;
  • Reduzem a produção de citocinas inflamatórias e aumentam a produção de citocinas anti-inflamatórias;
  • Estimulam à produção de IgA que determinará a tolerância oral e, na presença também do ácido retinóico, aumenta a expressão de Linfócitos T regulatórios, fundamentais para evitar doenças auto imunes, além de controlar as respostas alérgicas.

Dessa maneira, mantendo nossos sistemas imune e neurológico estável, saudável e ativo.

As bactérias também tem efeito expressivo na manifestação do nosso peso corporal, já que algumas cepas são capazes de extrair mais energia dos alimentos, fazendo com que absorvamos mais e estoquemos a energia restante na forma de gordura.

É muita coisa né? Mas afinal, o que determina o tipo de bactérias que moram em nós?

Tudo se inicia no parto. No nascimento, o trato GI é essencialmente estéril, e a colonização bacteriana começa durante o parto. Todavia, as práticas obstétricas modernas diminuem de modo considerável a transferência de bactérias da mãe ao recém-nascido durante o parto. Pois durante a cesárea não há participação da flora fecal materna e o meio ambiente (hospital) torna-se a fonte inicial de contaminação. Havendo um atraso no estabelecimento das bactérias no intestino do recém-nascido, especialmente lactobacilos e bifidobactérias (bactérias probióticas).

Existe notável diferença entre o desenvolvimento da microflora intestinal de recém-nascidos amamentados ao seio e os que consomem leite artificial. Na flora das crianças em aleitamento materno há pequena quantidade de espécies bacterianas patogênicas, e grande predomínio das bifidobactérias. Predomínio este justificado pelos fatores imunológicos do leite materno, como IgA secretória, a lisozima, a lactoferrina e os nucleotídeos, que inibem a flora patogênica. E pelo baixo pH intestinal dos bebês amamentados ao seio, que favorece o crescimento das bifidobactérias.

Em contraste, as crianças que utilizam fórmulas artificiais desenvolvem microbiota mais diversa composta não só de bifidobactérias, como também de bacteróides, enterobactérias, enterococos e clostridium sp.

Somente essas duas características são necessárias para o início do desenvolvimento da disbiose intestinal já no neonato.

As bactérias probióticas se nutrem basicamente de fibras e alimentos de origem vegetal, principalmente os íntegros, maduros e frescos, então se a sua alimentação consiste destes alimentos seus bichinhos devem ser muito felizes e amigáveis.

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Mas, se a sua alimentação consiste em carnes, alimentos muito processados, refinados, aditivados, irradiados, com agrotóxicos e/ou se você vive uma vida muito estressante e toma remédios com regularidade, os bichinhos que estão proliferando aí não são tão legais assim…